Radar da Carteira
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Elosaúde · auditoria clínica aberta · versão de 11/08/2026

Como o Radar decide
quem está adoecendo.

Hoje, este motor classifica os beneficiários entre saudáveis, em vigilância e adoecendo sem ler CID, sem ler laudo e sem ler resultado de exame: ele casa palavras nas contas. O "hoje" é proposital — já existe um protótipo coletando justamente esses dados. Abaixo está cada regra que o motor aplica. O que pedimos de vocês: apontar onde a regra não corresponde à clínica, e dizer o que mudaria se o dado que falta chegasse.

Sistema
Radar da Carteira · Aura
Versão
11/08/2026
Motores
7 (1 validado)
Documentado por
Victor Vargas Viana
Setor
Inovação · GNI
Revisores
equipe clínica
Comece por aqui

Como contribuir

Cada bloco deste documento — cada linha de tabela, cada limiar, cada regra — tem um alvo de observação na margem esquerda. Passe o mouse (ou toque, no celular) e clique no círculo para registrar o que está errado, o que falta ou o que você faria diferente.

O que é mais útil apontar

  • Termo faltando: um medicamento ou procedimento que deveria estar na lista e não está. Sem o termo, a condição fica invisível para o sistema.
  • Termo perigoso: uma palavra genérica demais, que vai casar com outra condição e gerar falso-positivo.
  • Limiar sem sentido clínico: os cortes de custo, peso e score foram arbitrados por engenharia. Se um deles não corresponde à realidade, diga qual seria.
  • Regra que discordo: exclusões, pisos e prioridades que a clínica não sustenta.

Nem todo bloco pede comentário. Tabelas de referência — o que o sistema enxerga, quanto tempo ele guarda — estão ali só para você entender o terreno. O alvo de observação na margem aparece apenas onde existe uma decisão que vocês podem mudar: uma lista de palavras, um peso, um limiar, uma exclusão, uma pergunta em aberto.

E se o que falta não estiver em lugar nenhum do documento? Se a lacuna for uma condição inteira que o Radar não reconhece, ou uma pergunta que ninguém mediu, vá direto para Propor algo novo, no fim da página. É lá que entram condições novas, eixos de vigilância e propostas de estudo.

Você não precisa saber nada de tecnologia para contribuir. Cada bloco já carrega, por baixo, a referência exata do trecho de programa que implementa aquela regra — ela viaja junto com o seu comentário e leva a engenharia direto ao ponto. Escreva em linguagem clínica; a tradução é problema nosso.

Fundamentos

Três verdades que mudam toda a leitura

as três premissas do motor

1. O Radar não usa CID nem diagnóstico registrado

Não existe um único código CID-10 no motor. Toda a clínica é inferida por sobre a descrição em texto de procedimentos e medicamentos nas contas, do jeito que ela chega no padrão . O sistema vê o que foi solicitado, dispensado ou faturado — nunca o laudo, nunca o resultado do exame, nunca o diagnóstico do médico assistente.

A única vez em que a palavra "CID" aparece no sistema inteiro é numa instrução dada ao modelo de linguagem: "Nunca infira diagnóstico, CID ou condição médica".

2. Não existe UM score — existem vários motores em paralelo

Eles têm escalas e naturezas diferentes: um é determinístico, outro é a opinião de um modelo de linguagem. A tabela de motores mais adiante é o mapa. Não confunda os números entre eles — o mesmo beneficiário pode ser "6" em duas réguas que não significam a mesma coisa.

3. O Radar não diagnostica — levanta suspeita de custo e agravamento

A melhor leitura clínica é: "este padrão de utilização se parece com o de quem estava adoecendo". É uma triagem para olhos humanos, não um veredito. O próprio sistema exibe um aviso "Investigar antes de agir" quando a confiança no dado é baixa.

Selos de maturidade

Usados em todo o documento para separar o que foi provado do que é palpite bem-intencionado.

SeloSignificado
🟢 Validado Roda em produção e tem backtest documentado, com lead-time medido.
🟡 Ativo, não validado Roda, mas é heurística com constantes fixas, sem validação clínica formal. A maior parte do Radar está aqui.
⚪ Descartado Foi investigado e conscientemente não implementado, ou depende de dado que não temos.
Fundamentos

De onde vem o dado

o que o sistema enxerga de cada pessoa

Uma linha de dado é um item de conta faturado — um evento. Junto com o cadastro, é tudo que o sistema sabe sobre a pessoa.

ItemO que é
O que alimenta As contas faturadas da carteira (), copiadas para uma base própria do Radar
UnidadeUm item de conta faturado = um evento. Uma internação com vinte itens são vinte eventos.
De cada evento Custo, data, se foi internação, se veio por reembolso ou SUS, o prestador e — a peça central — a descrição em texto do procedimento ou medicamento
Do cadastroData de nascimento (que vira idade), número de inscrição, tipo de vínculo e situação — só entram beneficiários ativos

Até onde o sistema enxerga para trás

Cada motor olha um pedaço diferente do passado. Isto não é detalhe técnico: muda o que aparece na tela de um paciente real.

O queEnxerga O que isso significa na leitura de um caso
Toda a base do Radar3 anos Nada anterior a abril de 2023 existe para o sistema. Quem tratou uma condição em 2021 e está estável desde então aparece como se nunca tivesse tratado.
Score IA (motor 5)1 ano Só os últimos 12 meses. Quem teve um ano quieto depois de dois anos pesados é lido como pessoa de baixo uso.
Escada (motor 3)4 anos Pede quatro anos, mas a base só tem três — na prática, olha o que existe.
Comparação com quem adoeceu (motor 6)períodos fixos Compara um bloco de abr/23 a set/24 com outro a partir de abr/25. São datas travadas, iguais para todo mundo, não os últimos meses de cada pessoa.
Primeiro ano da baseincompleto O próprio sistema trata 2023 como ano sujo: a carga estava começando e faltam contas.
A consequência clínica, e o que perguntamos a vocês

O olhar real para trás é de dois a três anos, com o primeiro incompleto. Nenhum motor vê o beneficiário "a vida toda". Doença crônica antiga, tratada e estável fora dessa janela, simplesmente não aparece — a pessoa pode ser classificada como Saudável.

A pergunta: para as condições que vocês acompanham, três anos bastam para dizer que alguém está saudável? Se existe alguma em que isso é claramente insuficiente — e vocês veriam a pessoa como doente — diga qual. É o argumento de que precisamos para justificar guardar mais histórico.

Fundamentos

Os sete motores

visão de conjunto

Sete peças rodam em paralelo sobre o mesmo dado. Só uma delas — a Escada — tem validação retrospectiva. As demais são conscientes.

#MotorProduz Maturidade
1Categorias Clínicas classifica cada evento em uma condiçãosim 🟡 não validado
2Score Clínico Composto nível Saudável → Crítico (0–10)sim 🟡 não validado
3Escada de Escalonamento estágio 1–5 por eixosim 🟢 validado
4Modelo de aprendizado de máquina probabilidade de virar alto custosim (treinado) 🟡 não validado
5Score IA de Sinistralidade score 1–10 + cesta terapêuticanão () 🟡 não validado
6Similaridade de Transição % de semelhança com quem adoeceusim 🟡 não validado
7Dependência Funcional flag de cuidado prolongado gravesim 🟡 não validado
Motor 1 · 🟡 não validado

Categorias clínicas — o alfabeto de tudo

o dicionário palavra → condição

É o dicionário que traduz palavra na conta → condição monitorada. Todos os outros motores dependem dele. Cada condição distingue dois tipos de sinal:

  • Tratamento (medicamento ou procedimento invasivo) → evidência forte de que a condição está ativa.
  • Rastreio (exame de rotina) → evidência fraca. Sozinho nunca confirma doença, porque o sistema não vê o resultado.
É aqui que a revisão de vocês vale mais

Um termo faltando = a condição não é vista. Um termo genérico demais = falso-positivo. Exemplo real já corrigido: a palavra insulina casava também com "seringa para insulina" — um insumo, não um tratamento — e contava como diabetes em atividade. Hoje o sistema exige que a palavra venha num item de farmácia.

Cada linha abaixo é comentável — clique no círculo à esquerda do nome da condição.

CondiçãoPeso Tratamento (evidência forte) Rastreio (fraca)
Diabetes3 metformina, insulina, gliclazida, dapagliflozina, semaglutida hemoglobina glicada, glicose
Cardiovascular3 losartana, enalapril, amlodipina, cateterismo, angioplastia, stent ecodopplercardiograma, ECG
Autoimune / Inflamatório4 metotrexato, adalimumabe, infliximabe, azatioprina fator antinúcleo, PCR
Renal4 hemodiálise, diálise peritoneal, eritropoetina creatinina, ureia, clearance
Tireoide2 puran, levotiroxina, tapazol, metimazol TSH, T4 livre
Oncológico5 quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, tamoxifeno biópsia, PET-CT, marcador tumoral
Saúde Mental2 sertralina, fluoxetina, quetiapina, risperidona, lítio psicólogo, psiquiatra
Dislipidemia2 sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina, ezetimiba colesterol, triglicerídeos
Internação / Urgência5 diária de UTI, cateter venoso central, ventilação mecânica pronto-socorro
TEA / Neurodesenvolvimento4 ver seção TEA—
Fonoaudiologia2 fonoaudiologia—
Fisioterapia / Reabilitação2 fisioterapia, reabilitação, hidroterapia, pilates RM / RX de coluna
Ortopédico / Coluna3 artroscopia, artroplastia, prótese de joelho/quadril RM de coluna, densitometria
Materno-Infantil3 parto, cesárea, pacote de parto cardiotocografia, US obstétrica
Obesidade / Bariátrica4 gastroplastia, bypass, sleeve, orlistat—
Dependência funcional5 ver seção própria—
Falta alguma condição inteira? DPOC, epilepsia, HIV, doença inflamatória intestinal, hepatopatias e hematológicas não têm categoria própria hoje. Se uma delas pesa na carteira de vocês, registre aqui — vira um protocolo Tipo A.
Motor 2 · 🟡 não validado

Score clínico composto — o número auditável

o único score que dá para refazer no papel

Este é o score — dá para refazer na mão com papel. Vai de 0 a 10 e vira nível pela faixa abaixo. É ele que responde "saudável ou não".

FaixaNível
≥ 6Crítico
≥ 4Alto
≥ 2Moderado
≥ 0,5Atenção
< 0,5Saudável

Os quatro componentes (teto 10)

ComponenteMáxCritério
a. Perfil clínico4 Soma da contribuição de cada condição com tratamento ativo; rastreio isolado vale 0. A aritmética está logo abaixo.
b. Multimorbidade2 ≥ 4 áreas tratadas = 2 · ≥ 3 = 1,5 · ≥ 2 = 1 · 1 tratada + ≥ 2 rastreios = 0,5
c. Custo mensal2 ≥ R$10k = 2 · ≥ R$5k = 1,5 · ≥ R$2k = 1 · ≥ R$500 = 0,5
d. Aceleração de custo2 Exige ≥ 6 meses. 2ª metade > 2× a 1ª = 2 · > 1,5× = 1

Como o componente a converte tratamentos em pontos

A dúvida frequente é "soma dos pesos? só a mais grave? média?". A resposta é nenhuma das três. Cada condição entra por um termo que satura, e a soma tem teto global 4.

A fórmula

contribuição da condição = min( nº_de_tratamentos × 0,8 ,  peso × 0,5 ) × peso / 5

score_perfil             = min( soma de todas as contribuições , 4 )
  • nº_de_tratamentos é quantos claims casaram uma palavra de tratamento daquela condição — não é liga/desliga, é contagem. Repetir o tratamento pesa mais, até saturar.
  • O teto de cada condição é peso² / 10, e é atingido com pouquíssimos eventos.
  • Rastreio continua valendo zero aqui, por mais que se repita. Ele só entra pelo custo (componentes c e d) e, desde a última revisão, pela regra de 0,5 do componente b.

Cada linha é comentável — é a tabela que a equipe clínica mais deve contestar, porque define quando "mais tratamento" deixa de significar "mais doente".

Eventos de tratamentoPeso 2Peso 3 Peso 4Peso 5
1 evento0,320,48 0,640,80
2 eventos0,400,90 1,281,60
3 eventos0,400,90 1,602,40
4 ou mais0,400,90 1,602,50

Negrito = saturou. Dali em diante, mais eventos da mesma condição não somam nada. Uma condição de peso 2 satura no segundo claim; uma de peso 5 leva quatro.

A conta, em cima de uma pessoa

Ana — diabetes (peso 3, 2 tratamentos) + cardiovascular (peso 3, 1 tratamento) + dislipidemia (peso 2, 3 tratamentos):

score_perfil = 0,90 + 0,48 + 0,40 = 1,78   →   min(1,78 ; 4) = 1,78

Compare com as leituras ingênuas da mesma paciente: soma dos pesos com teto daria 4,0, só a mais grave daria 3,0, média daria 2,67. Três respostas plausíveis, três níveis diferentes na tela — por isso a aritmética precisa estar escrita, e não subentendida.

O que o componente a faz e o que ele não faz

Sozinho, o componente a é conservador: só tratamento pontua, satura por condição, e o teto 4 impede que ele isoladamente alcance "Alto" (≥ 4) ou "Crítico" (≥ 6). O risco de super-inclusão não está aqui — está na combinação com o componente b:

  • Hipertenso + dislipidêmico estável e controlado: a ≈ 1,3 + b = 1,0 → Moderado.
  • Diabético + hipertenso + dislipidêmico: chega a ≈ 3,7, quase "Alto", puxado pela multimorbidade.

Pode ser clinicamente defensável — síndrome metabólica é risco real — mas é uma decisão de rótulo que cabe a vocês: nesta base, "Moderado" quer dizer acompanhar ou adoecendo? A resposta muda o quanto de "falso-positivo" o número representa. Há uma pergunta aberta sobre isto.

Fusão com o ML

Se há tratamento ativo, vale o maior entre o número das regras e o número do modelo estatístico — ou seja, o modelo nunca rebaixa quem está em tratamento.

Se há zero evidência clínica, o sistema zera o score mesmo que o modelo estatístico aponte risco alto. A justificativa no código: "ortodontia, óculos e rotina não são adoecimento".

Piso clínico de segurança

Impede que casos graves caiam de nível, independentemente da conta:

  • Oncológico em tratamento → piso Alto; se ≥ R$5k/mês → piso Crítico.
  • Internação/urgência: ≥ 2 eventos ou ≥ R$3k/mês → Alto; ≥ 2 eventos e ≥ R$5k → Crítico.
  • Dependência funcional grave → Alto; ≥ R$5k/mês → Crítico.
Atenção do auditor

Existem duas escalas de "alto risco". Este motor usa os cortes 0,5 / 2 / 4 / 6. Já o Score IA (motor 5) e algumas telas usam ≥ 8 = alto, 5–8 = médio. São réguas diferentes de motores diferentes. Ao revisar um caso na tela, confirme qual motor gerou o número.

Motor 3 · 🟢 validado

Escada de escalonamento — a única parte com backtest

o motor com validação retrospectiva

Modela a progressão de uma condição em cinco degraus. É o único motor com validação retrospectiva () e medido.

01
Rastreio
exame de rotina abre a suspeita
02
Rastreio repetido
o mesmo exame voltando
03
Imagem dirigida
investigação específica
04
Procedimento
intervenção confirma gravidade
05
Desfecho
o evento-alvo ocorreu

Só o estágio ≥ 3 é acionável. Ver ruído conhecido abaixo.

Os três eixos existentes

EixoDesfecho-alvo (jul/2026)
Renalhemodiálise / diálise 39 casos · 92% tinham rastreio prévio · lead mediano 12,1 meses
Cardiovascularrevascularização / infarto 592 casos · lead ~12,8 meses
Diabetesfotocoagulação / vitrectomia / amputação / pé diabético 670 casos · lead ~12,4 meses

Transições e prioridade

  • O estágio é o maior degrau atingido; a velocidade compara os últimos 180 dias com o passado.
  • Prioridade Alta se estágio ≥ 4 com último sinal ≤ 90 dias, ou estágio ≥ 3 acelerando ≤ 120 dias.
  • Sem atividade no eixo há mais de 8 meses → marcado "resolvido" e sai da .
Ruído conhecido, assumido

O estágio 2 (creatinina, glicose, colesterol recorrentes) é rotina ubíqua e afoga a lista — por isso só estágio ≥ 3 é acionável. O eixo renal tem cerca de 3.043 pessoas em "monitorar" que são ruído. Isto é , não diagnóstico.

Motor 4 · 🟡 não validado

Modelo de aprendizado de máquina — probabilidade de alto custo

o motor que aprendeu sozinho

Um modelo estatístico treinado — , ou aprendizado de máquina, na sigla que aparece no resto do documento — que devolve a probabilidade de o beneficiário virar alto custo. A técnica usada chama-se . Ele usa , não identidade: número de meses e dias com farmácia nos últimos 12 meses. A premissa no código é "mesmo sem saber o medicamento, a frequência indica uso crônico".

O que ele aprendeu a prever inclui "esta pessoa vai iniciar medicamento de alta complexidade" — quimioterápico, biológico ou diálise. Na tela, os fatores que mais pesaram aparecem traduzidos em linguagem comum.

Motor 5 · 🟡 não validado

Score IA de sinistralidade — opinião de um modelo de linguagem

o motor menos auditável

Este é o motor menos auditável e precisa de atenção especial. É uma chamada a um (GPT-4o), com para o Google Gemini se o primeiro falhar. Grava um score de 1 a 10 mais uma cesta terapêutica.

As regras estão em português dentro do , não em código

Ou seja: não passam por revisão de código nem por teste automatizado. Amostra do que está escrito lá:

  • Imunobiológico, quimio oral ou doença rara → score mínimo 8.
  • Antineoplásico + quimio confirmada → 9–10.
  • Só pronto-socorro sem consulta eletiva em 12 meses → mínimo 6.
  • Pico > 3× na frequência após silêncio → mínimo 7 ("alerta pré-diagnóstico").
  • Sem uso em 24 meses e idade > 45 → mínimo 5 ("bomba-relógio silenciosa").
Três alertas para o auditor
  1. Não é reproduzível. O mesmo beneficiário pode receber scores diferentes em rodadas diferentes, e pode ser pontuado por modelos diferentes (GPT numa rodada, Gemini noutra). Não é uma fórmula fixa.
  2. O sexo passou a ser cruzado nesta versão. Até agora o campo ia vazio, e as regras que dependem dele — procedimento ginecológico em cadastro masculino, por exemplo — ficavam cegas. O cadastro real, preenchido em cerca de 97% dos ativos, passou a alimentar o modelo. Para a auditoria: scores gerados antes desta versão não usaram sexo; os posteriores, sim. Ao comparar uma rodada antiga com uma nova, essa diferença é esperada e não é erro.
  3. Se o acesso ao modelo cai, não sai score novo. A rodada é abortada em silêncio e os scores antigos continuam na tela, envelhecendo sem aviso.
Roda duas vezes por dia, às 07h e às 12h. Reanalisa quem tem score com mais de 30 dias ou utilização nova, e nunca apaga um score anterior.
Motor 6 · 🟡 não validado

Similaridade de transição — comparação com a população

comparação com quem já adoeceu

Responde: "o padrão de hoje deste beneficiário se parece com o de quem adoeceu?" Compara com a população, não com o próprio passado da pessoa.

Como os grupos são construídos

Transicionados: quem teve custo < R$3.000 no bloco ANTES e > R$15.000 no bloco DEPOIS. Controle: cerca de 500 pessoas que ficaram saudáveis. O alvo é pontuado pela semelhança com o perfil "antes" de quem adoeceu.

Os seis componentes e seus pesos

Exibidos ao usuário em barras na tela:

Farmácia 20% · Especialidades 20% · Custo/Grupo 15% · Procedimentos 15% · Complexidade 15% · Volume 15%

Os cortes de custo (R$3k / R$15k) e os pesos acima são fixos e arbitrados por engenharia — candidatos naturais a revisão pela equipe clínica.
Motor 7 · 🟡 não validado

Dependência funcional — cuidado prolongado

padrão de gravidade, não doença

Não é uma doença, é um padrão de gravidade — montado por combinação de procedimentos, nunca por diagnóstico.

  • Sinais-âncora, peso 3: traqueostomia, gastrostomia / sonda enteral, ventilação mecânica, home care. Isolados, com ≥ 2 eventos, já classificam como grave.
  • Itens menores que somam: BiPAP/CPAP, cadeira de rodas, órtese, fisioterapia respiratória. Soma de pesos ≥ 5 classifica como grave.
Fronteiras

Como "saudável" e "adoecendo" são decididos

síntese dos motores 2, 3 e 5

Não há um único interruptor. Uma pessoa é considerada saudável quando fica abaixo de 0,5 no Score Clínico Composto (motor 2) — o que acontece quando não há nenhum tratamento ativo, só rastreio, óculos e rotina.

Ela sobe para Atenção, Moderado, Alto ou Crítico conforme acumula tratamentos, multimorbidade, custo e aceleração, com o piso clínico garantindo que oncológico, UTI e dependência funcional não caiam de nível.

Em paralelo, a Escada (motor 3) coloca a pessoa em vigilância se ela estiver subindo degraus de um eixo validado, e o Score IA (motor 5) dá uma segunda opinião de 1 a 10 que não conversa com a régua do motor 2.

Fronteiras

O doente crônico controlado — e onde o Radar erra

a pergunta que todo clínico faz primeiro

Na primeira leitura, todo clínico pergunta: "um hipertenso não tem cura — o sistema o vê como doente controlado, ou como saudável?" Vê como doente, de duas formas. Mas com um limite que precisa estar claro.

Como o crônico é rotulado hoje

  • Um hipertenso sozinho em tratamento soma cerca de 0,90 no componente a — nível Atenção, o degrau logo acima de Saudável.
  • Some outra crônica tratada, como dislipidemia, e viram duas áreas → Moderado. Nunca Saudável.
  • No Score IA existe uma caixa que é literalmente o doente controlado: "Crônico Estável", uma das cinco cestas terapêuticas.
O limite: "controlado" aqui não é controle clínico

O Radar não tem pressão arterial nem resultado de exame. "Estável" significa apenas padrão de gasto estável: compra o mesmo remédio, sem picos de custo, sem pronto-socorro. Um hipertenso com a pressão descontrolada que apenas continua comprando a mesma losartana aparece igualmente como "Crônico Estável". O sistema distingue o movimentado do parado — não o bem-controlado do mal-controlado.

O erro perigoso — a "cura por silêncio"

O componente a só conta eventos dentro da janela. Se o crônico abandona o tratamento — para de comprar remédio, para de ir a consultas — por alguns meses, o score escorrega de volta para Saudável, e na Escada o eixo é marcado "resolvido" após oito meses de silêncio.

Isso é um falso-negativo: a pessoa não sarou, ela largou o cuidado — o que clinicamente é mais preocupante, não menos. Um radar de crônicos que "cura" quem some é, neste ponto, cego para o pior desfecho.

Estado real da pessoaComo o Radar vê Correto?
Crônico tratando, comprando remédio "Atenção" ou "Moderado" + Crônico Estável✅ sim
Crônico descontrolado, mas comprando o mesmo remédio também Crônico Estável⚠️ não distingue
Crônico que abandonou o tratamento escorrega para "Saudável" / eixo "resolvido"❌ falso-negativo

As duas últimas linhas só se resolvem com dado que hoje falta

Para distinguir controlado de descontrolado é preciso o valor do exame. Para não confundir alta com sumiço é preciso um sinal de adesão ou abandono.

Vale notar que o protótipo do app já coleta os dois: o anexo de exames traz o resultado, e a lista de medicamentos de uso contínuo declarada pelo beneficiário é, na prática, uma declaração de adesão. Quem parou de comprar mas mantém o remédio declarado é justamente o caso que hoje some do radar. Mais sobre isso adiante.

Fronteiras · 🟡 não validado

TEA — detecção de padrão de terapia, não diagnóstico

padrão de terapia, não diagnóstico

O que dispara a categoria (peso 4)

método ABA · terapia ABA · TEACCH · autista · equoterapia · musicoterapia · psicomotricidade · integração sensorial · método Bobath · Denver

Para evitar dupla contagem, um evento que casa TEA não é contado também em Fonoaudiologia ou Fisioterapia. O monitoramento foca no "aumento de sessões semanais" — custo previsível crescente.
O que a equipe clínica precisa julgar aqui
  • Não usa CID F84. Não há confirmação diagnóstica de autismo — só a presença de terapias.
  • Risco de falso-positivo: Bobath e Denver também são métodos usados em outras condições neuromotoras, como paralisia cerebral. Uma criança em reabilitação motora pode ser rotulada "TEA" indevidamente.
  • Não há níveis de suporte (leve / moderado / severo). TEA entra só pelo peso 4 no score de custo.
Fronteiras

Exclusões deliberadas

o que o sistema de propósito não sinaliza

Estas não são falhas — são decisões. Cada uma pode ser contestada por vocês.

ExclusãoMotivo
Tireoide fora da vigilância precoce Sobrediagnóstico: detectar cedo leva a tireoidectomia e iodo sem ganho de mortalidade.
Rastreio isolado nunca confirma doença Sem o resultado do exame, não dá para saber se deu positivo.
Zero evidência clínica força "Saudável" Ortodontia, óculos, vacina e rotina não são adoecimento.
Estágio 2 rebaixado a "monitorar" Creatinina, glicose e colesterol são ubíquos e afogariam a lista.
Detecção precoce de câncer por tumor ⚪ inviável hoje São 335 pessoas em tratamento oncológico, mas só 141 têm 12 meses ou mais de histórico — e sem diagnóstico registrado não há como separar mama de próstata de pulmão.
Assimetria que o auditor deve saber

A tireoide conta no score de custo e multimorbidade (categoria de peso 2), mas é cega à vigilância precoce. Ela está no Radar como custo e ausente como alerta.

Transversais

Medicamentos — para os farmacêuticos

o remédio como sinal de doença

Medicamento é sinal clínico central, de três formas:

  1. de doença: o nome do fármaco mapeia a condição (metformina → Diabetes, adalimumabe → Autoimune, quimioterápico → Oncológico). Só "tratamento" conta como evidência forte.
  2. Peso no score de similaridade: farmácia é o componente de maior peso (20%). Abaixo de R$500/ano não pontua; ≥ R$5.000/ano vale 100%.
  3. Cadência no ML: meses e dias com farmácia nos últimos 12 meses.
A maior limitação para vocês

Boa parte dos chega com a descrição genérica literal MEDICAMENTOS FARMACIA, sem o princípio ativo. Quando o fármaco vem nomeado, vira sinal de doença; quando vem opaco, só o custo e a cadência são usados — o sistema não sabe o que foi dispensado.

O sistema mede e mostra o percentual da farmácia que chega opaca — é um número que vale vocês olharem, porque ele limita tudo o que vem depois. OPME não tem categoria própria no Radar.

Transversais

Rastreabilidade — o "por quê" da conclusão

a evidência por trás de cada número

Ponto forte para a confiança clínica: o Radar mostra a evidência, não só o número.

  • Timeline com os eventos individuais (até 200) que sustentam tudo.
  • Categorias emergentes com os eventos-chave que dispararam cada uma.
  • Similaridade com o que casou: especialidades e procedimentos em comum com os transicionados, com o delta % contra quem ficou saudável.
  • Fatores do ML traduzidos para linguagem legível.
  • Banner "Investigar antes de agir" quando o modelo diz Alto ou Crítico mas a confiança no dado é baixa.

O número final do ML não é decomposto claim a claim — o que se explica são os fatores de maior peso e os matches.

Transversais

Anonimização — o que a tela esconde

o que a tela troca por termos neutros

A tela troca nomes técnicos internos — de banco de dados e do fornecedor do modelo de IA — por termos neutros. São nomes que não dizem nada à leitura clínica e só poluiriam a interface.

Ela não esconde nada clínico — medicamento, procedimento, custo e score aparecem normalmente. A não-exposição de nome e CPF do paciente-índice é diretriz de processo e LGPD, não do código.

Transversais

O que falta hoje — e o que já está a caminho

onde vocês decidem o próximo passo

O Radar hoje detecta bem doença crônica que escala devagar, com degraus intermediários (renal, cardio, diabetes), com lead de cerca de um ano. Ele não detecta doença silenciosa de investigação rápida, e não substitui diagnóstico.

O que mais mudaria o sistema

Três coisas. O resultado numérico dos exames: sem ele, o Radar sabe que a creatinina foi pedida seis vezes mas não sabe se subiu — a tendência dentro do rastreio nunca afina, e não há como separar crônico controlado de descontrolado. O diagnóstico registrado nas guias: sem ele, não há como separar câncer de mama de câncer de próstata. E um sinal de adesão: sem ele, quem abandona o tratamento vira "Saudável" em vez de virar prioridade.

É o principal pedido técnico que a equipe clínica pode endossar, e o endosso de vocês pesa mais que o nosso.

Já existe um protótipo coletando esse dado

O app da Elosaúde tem um protótipo ativo em gaf.inovaprocessos.com com três frentes. Duas delas trazem, direto do beneficiário, coisas que o Radar hoje não enxerga de jeito nenhum:

Meus exames — o laudo entra pela porta do beneficiário

A pessoa anexa laudos, imagens e receitas por foto, galeria ou PDF, com um consentimento único no primeiro anexo autorizando a operadora a usar os dados para cuidar da saúde dela, revogável a qualquer momento.

O que isso destrava: o resultado do exame — exatamente o dado cuja ausência faz o rastreio valer zero no score. Um laudo de creatinina anexado responde a pergunta que a conta nunca respondeu: deu alterado?

Minha saúde — a folha de rosto que hoje não existe

O beneficiário informa altura, peso e IMC com histórico, seus medicamentos de uso contínuo e suas alergias e condições.

O que isso destrava: a farmácia opaca. Quando a conta chega escrita só como MEDICAMENTOS FARMACIA, o sistema não sabe o que foi dispensado — mas se a própria pessoa declarou que usa losartana e metformina todo mês, o custo opaco ganha nome. E o IMC com histórico é uma variável clínica que o Radar simplesmente não tem hoje, em nenhum motor.

Antes de comemorar — três ressalvas que só vocês sabem pesar
  1. É dado declarado, não faturado. Tudo no Radar hoje vem de uma conta que alguém cobrou. O que a pessoa digita tem outra natureza: pode estar desatualizado, incompleto ou errado de boa-fé. Misturar as duas fontes num mesmo score exige uma decisão explícita.
  2. Quem anexa não é uma amostra qualquer. Anexar exame é voluntário. É provável que quem faz isso seja mais engajado — ou esteja mais doente. Se o Radar passar a usar esse dado, quem nunca anexou pode parecer mais saudável do que é.
  3. Laudo em PDF ou foto não é número. Entre "o laudo está anexado" e "o sistema sabe que a creatinina deu 2,1" existe um trabalho de extração que ainda não foi feito.

A pergunta para vocês: quais desses dados vocês confiariam a ponto de deixar mudar a classificação de alguém — e quais só serviriam para investigar, nunca para pontuar?

Sua contribuição

Seis perguntas abertas

onde a opinião de vocês muda o sistema

Estas são decisões que a engenharia tomou sozinha e não deveria ter tomado sozinha. Cada resposta aqui vira uma issue.

Pergunta 01

As listas de palavras-chave estão completas e seguras?

Faltam termos? Algum é genérico demais e vai gerar falso-positivo? O caso insulin mostra o tamanho do risco.

Pergunta 02

Aceitamos Bobath e Denver como sinal de TEA?

Sabendo do risco de confundir com reabilitação motora. Vale separar "neurodesenvolvimento" de "reabilitação" em duas categorias?

Pergunta 03

Os limiares de custo e os cortes de score fazem sentido clínico?

R$500 / 2k / 5k / 10k e os cortes 0,5 / 2 / 4 / 6. Deveriam variar por idade ou sexo?

Pergunta 04

Concordam em deixar a tireoide fora da vigilância precoce?

A justificativa é sobrediagnóstico. Ela continua contando como custo, mas nunca gera alerta.

Pergunta 05

Que novos eixos de escalonamento valem ser construídos?

Além de renal, cardio e diabetes. DPOC? Insuficiência cardíaca? Câncer com marcador? O critério é ter degraus intermediários visíveis na conta.

Pergunta 06

Manter um número não-reproduzível de LLM como segunda opinião?

Ou restringir a operação aos motores determinísticos, onde toda conclusão pode ser refeita na mão?

Pergunta 07

Nesta base, "Moderado" quer dizer acompanhar ou adoecendo?

Um hipertenso e dislipidêmico estável cai em Moderado pela soma de a + b. Se Moderado significa "acompanhar", o número está certo. Se significa "adoecendo", há super-inclusão — e o ajuste seria no componente de multimorbidade, não nas listas de termos.

Pergunta 08

O que o beneficiário declara pode mudar a classificação dele?

O protótipo do app (gaf.inovaprocessos.com) já coleta exames anexados, peso e IMC com histórico, medicamentos de uso contínuo e condições declaradas. Nada disso é conta faturada. Vocês aceitariam que esse dado pontuasse — subindo ou descendo alguém de nível — ou ele só deveria abrir uma investigação humana? O caso mais concreto é o do crônico que abandonou o tratamento: hoje ele vira "Saudável"; com o medicamento contínuo declarado, ele viraria prioridade. A resposta define se o próximo passo é engenharia de dados ou desenho de protocolo.

Sua contribuição

Propor algo novo

condição, eixo de vigilância ou estudo

As seções anteriores pedem que vocês corrijam o que existe. Esta é o contrário: é onde vocês colocam o que não existe e deveria existir. São três caminhos, e a escolha muda o esforço da engenharia por um fator de dez.

CaminhoQuando usarEsforço
Tipo AFalta uma condição inteira no sistema — DPOC, epilepsia, HIV, Crohn. O Radar não a reconhece nem quando ela está em tratamento. baixo — lista de palavras e um peso
Tipo BA condição existe, mas queremos antecipar o desfecho grave com meses de antecedência, como já se faz em renal, cardio e diabetes. alto — degraus, desfecho e validação
Tipo CVocês têm uma pergunta que os dados talvez respondam e ninguém mediu ainda. Não é regra nova: é um estudo. variável — depende do dado existir
Tipo A — condição monitorada Tipo B — eixo de vigilância precoce
Para quê reconhecer que uma condição está presente e ativa e pesá-la no risco detectar que alguém está caminhando para um desfecho grave, com meses de antecedência
ExemplosDPOC, epilepsia, HIV, doença de Crohn "quem vai para diálise", "quem vai infartar", "quem vai amputar"
O que a engenharia fazacrescenta uma condição à lista de palavras monitoradas constrói um eixo novo, com os cinco degraus e o desfecho
Exige validaçãonão — entra como heurística 🟡 sim — backtest com lead-time antes de virar 🟢
Esforçobaixo: lista de termos + peso alto: degraus + desfecho + validação retrospectiva
Vale para os dois tipos

O Radar não lê CID nem resultado de exame — ele casa palavras na descrição das contas. Todo termo listado tem que ser algo que aparece escrito na conta: nome de medicamento, de procedimento, de exame. Nunca um diagnóstico.

Propor uma condição nova — Tipo A

O formulário abre ao lado e tem oito campos. Vale ter isto pensado antes de começar:

  • Qual condição e por que ela importa para a operadora.
  • Termos de tratamento — medicamentos e procedimentos que, aparecendo na conta, indicam tratamento em curso. É o campo mais importante: sem ele a condição fica invisível. Escreva como aparece na fatura.
  • Termos de rastreio — exames ligados à condição. O sistema não vê o resultado, então isto sozinho nunca confirma nada.
  • Peso de 1 a 5, comparando com o que já existe: dislipidemia é 2, diabetes é 3, autoimune é 4, oncológico é 5.
  • Risco de falso-positivo — algum termo da sua lista aparece em outra doença? Como distinguir?
Propor um eixo de vigilância — Tipo B

Onze campos. Este tipo só entra em produção como conclusão depois de provarmos, olhando o passado, que a escada realmente antecede o desfecho. Antes disso ele roda em observação. Tenha em mente:

  • O desfecho-alvo — o evento grave, caro e evitável que queremos antecipar, e como ele aparece escrito na conta.
  • Os quatro degraus até ele: rastreio inicial, o mesmo exame voltando, imagem dirigida, procedimento ou tratamento.
  • A velocidade típica do degrau 1 ao 5, e a partir de que aceleração já vale prioridade alta.
  • A coorte e a métrica para validar — quem já chegou ao desfecho, e o que consideraríamos sucesso.
Propor um estudo — Tipo C

Sete campos, para quando a proposta não é uma regra e sim uma pergunta a ser medida. Serve tanto para validar o que já roda quanto para investigar algo novo.

  • A pergunta em uma frase e o que muda na operação se a resposta for sim. Se nada muda, o estudo não vale o esforço.
  • O que precisaria ser medido — a comparação concreta.
  • Se o dado existe hoje. Se não existe, a proposta não morre: vira argumento para pedirmos esse dado.
Exemplo preenchido — eixo DPOC (Tipo B)
DESFECHO-ALVO
Internação por exacerbação com ventilação / VNI.
Termos na conta: "ventilacao mecanica", "vni", "bipap internacao", "diaria de uti"

OS 5 DEGRAUS
1. Rastreio inicial: "espirometria"
2. Rastreio repetido: "espirometria" (recorrente), "gasometria arterial"
3. Imagem dirigida: "tomografia de torax", "raio-x torax" (recorrente)
4. Procedimento/tratamento: "tiotropio", "formoterol", "oxigenoterapia domiciliar", "nebulizacao"
5. Desfecho: (acima)

JANELA E VELOCIDADE
Do degrau 1 ao 5, tipicamente 12–24 meses.
Atraso preocupante: subir do degrau 3 ao 4 em < 3 meses → prioridade Alta.

PLANO DE VALIDAÇÃO
Coorte: internações por exacerbação de DPOC em 2024–2025.
Sucesso: ≥80% com degrau ≥3 nos 12 meses anteriores, lead mediano ≥6 meses.

RISCO DE RUÍDO
Espirometria isolada é comum. Alertar só a partir do degrau ≥3.

Antes de um protocolo entrar

  • Todos os termos são palavras que aparecem na conta — não CID, não diagnóstico.
  • Cada termo foi checado contra falso-positivo: aparece em outra condição?
  • O peso foi acordado com a referência das condições atuais.
  • Tipo B: existe plano de validação com lead-time antes de virar 🟢.
  • A equipe clínica revisou e assinou o critério.
Apoio

Vocabulário

o que cada termo técnico quer dizer

Este documento foi escrito por engenharia e lido por clínica. Onde a palavra é da nossa casa e não da de vocês, ela aparece no texto — clique e a explicação abre ali mesmo. Se alguma definição continuar confusa, comente nela: significa que o documento ainda não está pronto.

ML, aprendizado de máquina

Não é mililitro. ML aqui é machine learning. É um programa que aprendeu sozinho, olhando o histórico da própria carteira, quais padrões de utilização apareceram antes de alguém virar alto custo. Ninguém escreveu as regras dele: elas saíram dos dados. Por isso não dá para ler a regra — só medir se ela acerta.

XGBoost

O nome da técnica de aprendizado de máquina usada no motor 4. É a mais comum para dados em tabela. Para a leitura clínica o nome não muda nada — pode ler como "o modelo estatístico".

Modelo de linguagem, LLM, GPT-4o, Gemini

O mesmo tipo de programa do ChatGPT. Recebe um texto com instruções e devolve um texto de volta. Não faz uma conta fixa — a mesma pergunta pode receber respostas diferentes em dias diferentes. GPT-4o e Gemini são dois desses programas, de empresas diferentes.

Prompt

O texto de instruções que se manda ao modelo de linguagem. No motor 5, as regras de pontuação estão escritas ali, em português corrido, como um bilhete ao programa — e não em código que possa ser testado.

Determinístico

Mesma entrada, mesma saída, sempre. Dá para refazer a conta no papel e conferir o número da tela. É o caso do motor 2 e o oposto do motor 5.

Heurística

Regra prática escolhida por bom senso, que funciona na maioria dos casos mas nunca foi provada com dados. É exatamente o que o selo 🟡 quer dizer — e é a maior parte do Radar.

Backtest

Teste olhando para trás. Pega quem já chegou ao desfecho — quem foi para diálise, por exemplo — volta no tempo e verifica se o sistema teria avisado antes, e com quanta antecedência. É o que separa o selo 🟢 do 🟡.

Lead-time, lead mediano

Quanto tempo de antecedência. "Lead mediano de 12,1 meses" quer dizer que, na metade dos casos, o sistema teria acendido o sinal um ano ou mais antes do desfecho. Na outra metade, menos.

Claim

Cada item cobrado da operadora: uma consulta, um exame, uma caixa de remédio, uma diária de internação. No dia a dia de vocês, é "a conta" ou "o item da conta".

TISS, TUSS

TISS é o padrão obrigatório da ANS para a troca de informação entre operadora e prestador — o formato em que a conta chega. TUSS é a tabela de códigos de procedimento dentro dele. O que o Radar usa não é o código: é a descrição em texto que vem ao lado.

Casamento de palavra-chave

O sistema procura pedaços de palavra dentro do texto da conta. Se acha "metformina" na descrição, marca diabetes. Ele não entende o sentido da frase — só encontra a palavra. Foi assim que "seringa para insulina" já foi lido como tratamento de diabetes.

Censura à esquerda

A base começa em abril de 2023 e não existe nada antes disso. Não é que a pessoa não tivesse doença antes — é que não dá para ver. Quem trata uma condição crônica há quinze anos pode parecer recém-chegado ao sistema.

Cadência

Com que frequência e regularidade algo aparece. O motor 4 usa cadência de farmácia: quantos meses tiveram compra de remédio, sem saber qual remédio.

Proxy

Sinal indireto, usado no lugar do que se queria medir. O remédio é proxy da doença: não é o diagnóstico, mas costuma andar junto. Todo o Radar é feito de proxies.

Watchlist

Lista de acompanhamento. Quem entra nela não está doente nem foi diagnosticado — está sendo olhado de perto. Confundir watchlist com diagnóstico é o erro de leitura mais caro que se pode cometer com este sistema.

Fallback

Plano B automático. Se o primeiro serviço não responde, o sistema tenta outro sem avisar ninguém. É por isso que o mesmo beneficiário pode ser pontuado por dois programas diferentes em semanas diferentes.