Como contribuir
Cada bloco deste documento — cada linha de tabela, cada limiar, cada regra — tem um alvo de observação na margem esquerda. Passe o mouse (ou toque, no celular) e clique no círculo para registrar o que está errado, o que falta ou o que você faria diferente.
O que é mais útil apontar
- Termo faltando: um medicamento ou procedimento que deveria estar na lista e não está. Sem o termo, a condição fica invisível para o sistema.
- Termo perigoso: uma palavra genérica demais, que vai casar com outra condição e gerar falso-positivo.
- Limiar sem sentido clínico: os cortes de custo, peso e score foram arbitrados por engenharia. Se um deles não corresponde à realidade, diga qual seria.
- Regra que discordo: exclusões, pisos e prioridades que a clínica não sustenta.
Nem todo bloco pede comentário. Tabelas de referência — o que o sistema enxerga, quanto tempo ele guarda — estão ali só para você entender o terreno. O alvo de observação na margem aparece apenas onde existe uma decisão que vocês podem mudar: uma lista de palavras, um peso, um limiar, uma exclusão, uma pergunta em aberto.
E se o que falta não estiver em lugar nenhum do documento? Se a lacuna for uma condição inteira que o Radar não reconhece, ou uma pergunta que ninguém mediu, vá direto para Propor algo novo, no fim da página. É lá que entram condições novas, eixos de vigilância e propostas de estudo.
Você não precisa saber nada de tecnologia para contribuir. Cada bloco já carrega, por baixo, a referência exata do trecho de programa que implementa aquela regra — ela viaja junto com o seu comentário e leva a engenharia direto ao ponto. Escreva em linguagem clínica; a tradução é problema nosso.
Três verdades que mudam toda a leitura
1. O Radar não usa CID nem diagnóstico registrado
Não existe um único código CID-10 no motor. Toda a clínica é inferida por sobre a descrição em texto de procedimentos e medicamentos nas contas, do jeito que ela chega no padrão . O sistema vê o que foi solicitado, dispensado ou faturado — nunca o laudo, nunca o resultado do exame, nunca o diagnóstico do médico assistente.
A única vez em que a palavra "CID" aparece no sistema inteiro é numa instrução dada ao modelo de linguagem: "Nunca infira diagnóstico, CID ou condição médica".
2. Não existe UM score — existem vários motores em paralelo
Eles têm escalas e naturezas diferentes: um é determinístico, outro é a opinião de um modelo de linguagem. A tabela de motores mais adiante é o mapa. Não confunda os números entre eles — o mesmo beneficiário pode ser "6" em duas réguas que não significam a mesma coisa.
3. O Radar não diagnostica — levanta suspeita de custo e agravamento
A melhor leitura clínica é: "este padrão de utilização se parece com o de quem estava adoecendo". É uma triagem para olhos humanos, não um veredito. O próprio sistema exibe um aviso "Investigar antes de agir" quando a confiança no dado é baixa.
Selos de maturidade
Usados em todo o documento para separar o que foi provado do que é palpite bem-intencionado.
| Selo | Significado |
|---|---|
| 🟢 Validado | Roda em produção e tem backtest documentado, com lead-time medido. |
| 🟡 Ativo, não validado | Roda, mas é heurística com constantes fixas, sem validação clínica formal. A maior parte do Radar está aqui. |
| ⚪ Descartado | Foi investigado e conscientemente não implementado, ou depende de dado que não temos. |
De onde vem o dado
Uma linha de dado é um item de conta faturado — um evento. Junto com o cadastro, é tudo que o sistema sabe sobre a pessoa.
| Item | O que é |
|---|---|
| O que alimenta | As contas faturadas da carteira (), copiadas para uma base própria do Radar |
| Unidade | Um item de conta faturado = um evento. Uma internação com vinte itens são vinte eventos. |
| De cada evento | Custo, data, se foi internação, se veio por reembolso ou SUS, o prestador e — a peça central — a descrição em texto do procedimento ou medicamento |
| Do cadastro | Data de nascimento (que vira idade), número de inscrição, tipo de vínculo e situação — só entram beneficiários ativos |
Até onde o sistema enxerga para trás
Cada motor olha um pedaço diferente do passado. Isto não é detalhe técnico: muda o que aparece na tela de um paciente real.
| O que | Enxerga | O que isso significa na leitura de um caso |
|---|---|---|
| Toda a base do Radar | 3 anos | Nada anterior a abril de 2023 existe para o sistema. Quem tratou uma condição em 2021 e está estável desde então aparece como se nunca tivesse tratado. |
| Score IA (motor 5) | 1 ano | Só os últimos 12 meses. Quem teve um ano quieto depois de dois anos pesados é lido como pessoa de baixo uso. |
| Escada (motor 3) | 4 anos | Pede quatro anos, mas a base só tem três — na prática, olha o que existe. |
| Comparação com quem adoeceu (motor 6) | períodos fixos | Compara um bloco de abr/23 a set/24 com outro a partir de abr/25. São datas travadas, iguais para todo mundo, não os últimos meses de cada pessoa. |
| Primeiro ano da base | incompleto | O próprio sistema trata 2023 como ano sujo: a carga estava começando e faltam contas. |
O olhar real para trás é de dois a três anos, com o primeiro incompleto. Nenhum motor vê o beneficiário "a vida toda". Doença crônica antiga, tratada e estável fora dessa janela, simplesmente não aparece — a pessoa pode ser classificada como Saudável.
A pergunta: para as condições que vocês acompanham, três anos bastam para dizer que alguém está saudável? Se existe alguma em que isso é claramente insuficiente — e vocês veriam a pessoa como doente — diga qual. É o argumento de que precisamos para justificar guardar mais histórico.
Os sete motores
Sete peças rodam em paralelo sobre o mesmo dado. Só uma delas — a Escada — tem validação retrospectiva. As demais são conscientes.
| # | Motor | Produz | Maturidade | |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Categorias Clínicas | classifica cada evento em uma condição | sim | 🟡 não validado |
| 2 | Score Clínico Composto | nível Saudável → Crítico (0–10) | sim | 🟡 não validado |
| 3 | Escada de Escalonamento | estágio 1–5 por eixo | sim | 🟢 validado |
| 4 | Modelo de aprendizado de máquina | probabilidade de virar alto custo | sim (treinado) | 🟡 não validado |
| 5 | Score IA de Sinistralidade | score 1–10 + cesta terapêutica | não () | 🟡 não validado |
| 6 | Similaridade de Transição | % de semelhança com quem adoeceu | sim | 🟡 não validado |
| 7 | Dependência Funcional | flag de cuidado prolongado grave | sim | 🟡 não validado |
Categorias clínicas — o alfabeto de tudo
É o dicionário que traduz palavra na conta → condição monitorada. Todos os outros motores dependem dele. Cada condição distingue dois tipos de sinal:
- Tratamento (medicamento ou procedimento invasivo) → evidência forte de que a condição está ativa.
- Rastreio (exame de rotina) → evidência fraca. Sozinho nunca confirma doença, porque o sistema não vê o resultado.
Um termo faltando = a condição não é vista. Um termo genérico demais = falso-positivo. Exemplo real já corrigido: a palavra insulina casava também com "seringa para insulina" — um insumo, não um tratamento — e contava como diabetes em atividade. Hoje o sistema exige que a palavra venha num item de farmácia.
Cada linha abaixo é comentável — clique no círculo à esquerda do nome da condição.
| Condição | Peso | Tratamento (evidência forte) | Rastreio (fraca) |
|---|---|---|---|
| Diabetes | 3 | metformina, insulina, gliclazida, dapagliflozina, semaglutida | hemoglobina glicada, glicose |
| Cardiovascular | 3 | losartana, enalapril, amlodipina, cateterismo, angioplastia, stent | ecodopplercardiograma, ECG |
| Autoimune / Inflamatório | 4 | metotrexato, adalimumabe, infliximabe, azatioprina | fator antinúcleo, PCR |
| Renal | 4 | hemodiálise, diálise peritoneal, eritropoetina | creatinina, ureia, clearance |
| Tireoide | 2 | puran, levotiroxina, tapazol, metimazol | TSH, T4 livre |
| Oncológico | 5 | quimioterapia, radioterapia, imunoterapia, tamoxifeno | biópsia, PET-CT, marcador tumoral |
| Saúde Mental | 2 | sertralina, fluoxetina, quetiapina, risperidona, lítio | psicólogo, psiquiatra |
| Dislipidemia | 2 | sinvastatina, atorvastatina, rosuvastatina, ezetimiba | colesterol, triglicerídeos |
| Internação / Urgência | 5 | diária de UTI, cateter venoso central, ventilação mecânica | pronto-socorro |
| TEA / Neurodesenvolvimento | 4 | ver seção TEA | — |
| Fonoaudiologia | 2 | fonoaudiologia | — |
| Fisioterapia / Reabilitação | 2 | fisioterapia, reabilitação, hidroterapia, pilates | RM / RX de coluna |
| Ortopédico / Coluna | 3 | artroscopia, artroplastia, prótese de joelho/quadril | RM de coluna, densitometria |
| Materno-Infantil | 3 | parto, cesárea, pacote de parto | cardiotocografia, US obstétrica |
| Obesidade / Bariátrica | 4 | gastroplastia, bypass, sleeve, orlistat | — |
| Dependência funcional | 5 | ver seção própria | — |
Score clínico composto — o número auditável
Este é o score — dá para refazer na mão com papel. Vai de 0 a 10 e vira nível pela faixa abaixo. É ele que responde "saudável ou não".
| Faixa | Nível |
|---|---|
| ≥ 6 | Crítico |
| ≥ 4 | Alto |
| ≥ 2 | Moderado |
| ≥ 0,5 | Atenção |
| < 0,5 | Saudável |
Os quatro componentes (teto 10)
| Componente | Máx | Critério |
|---|---|---|
| a. Perfil clínico | 4 | Soma da contribuição de cada condição com tratamento ativo; rastreio isolado vale 0. A aritmética está logo abaixo. |
| b. Multimorbidade | 2 | ≥ 4 áreas tratadas = 2 · ≥ 3 = 1,5 · ≥ 2 = 1 · 1 tratada + ≥ 2 rastreios = 0,5 |
| c. Custo mensal | 2 | ≥ R$10k = 2 · ≥ R$5k = 1,5 · ≥ R$2k = 1 · ≥ R$500 = 0,5 |
| d. Aceleração de custo | 2 | Exige ≥ 6 meses. 2ª metade > 2× a 1ª = 2 · > 1,5× = 1 |
Como o componente a converte tratamentos em pontos
A dúvida frequente é "soma dos pesos? só a mais grave? média?". A resposta é nenhuma das três. Cada condição entra por um termo que satura, e a soma tem teto global 4.
A fórmula
contribuição da condição = min( nº_de_tratamentos × 0,8 , peso × 0,5 ) × peso / 5 score_perfil = min( soma de todas as contribuições , 4 )
nº_de_tratamentosé quantos claims casaram uma palavra de tratamento daquela condição — não é liga/desliga, é contagem. Repetir o tratamento pesa mais, até saturar.- O teto de cada condição é
peso² / 10, e é atingido com pouquíssimos eventos. - Rastreio continua valendo zero aqui, por mais que se repita. Ele só entra pelo custo (componentes c e d) e, desde a última revisão, pela regra de 0,5 do componente b.
Cada linha é comentável — é a tabela que a equipe clínica mais deve contestar, porque define quando "mais tratamento" deixa de significar "mais doente".
| Eventos de tratamento | Peso 2 | Peso 3 | Peso 4 | Peso 5 |
|---|---|---|---|---|
| 1 evento | 0,32 | 0,48 | 0,64 | 0,80 |
| 2 eventos | 0,40 | 0,90 | 1,28 | 1,60 |
| 3 eventos | 0,40 | 0,90 | 1,60 | 2,40 |
| 4 ou mais | 0,40 | 0,90 | 1,60 | 2,50 |
Negrito = saturou. Dali em diante, mais eventos da mesma condição não somam nada. Uma condição de peso 2 satura no segundo claim; uma de peso 5 leva quatro.
A conta, em cima de uma pessoa
Ana — diabetes (peso 3, 2 tratamentos) + cardiovascular (peso 3, 1 tratamento) + dislipidemia (peso 2, 3 tratamentos):
score_perfil = 0,90 + 0,48 + 0,40 = 1,78 → min(1,78 ; 4) = 1,78
Compare com as leituras ingênuas da mesma paciente: soma dos pesos com teto daria 4,0, só a mais grave daria 3,0, média daria 2,67. Três respostas plausíveis, três níveis diferentes na tela — por isso a aritmética precisa estar escrita, e não subentendida.
Sozinho, o componente a é conservador: só tratamento pontua,
satura por condição, e o teto 4 impede que ele isoladamente alcance "Alto" (≥ 4) ou "Crítico" (≥ 6).
O risco de super-inclusão não está aqui — está na combinação com o componente
b:
- Hipertenso + dislipidêmico estável e controlado:
a ≈ 1,3+b = 1,0→ Moderado. - Diabético + hipertenso + dislipidêmico: chega a ≈ 3,7, quase "Alto", puxado pela multimorbidade.
Pode ser clinicamente defensável — síndrome metabólica é risco real — mas é uma decisão de rótulo que cabe a vocês: nesta base, "Moderado" quer dizer acompanhar ou adoecendo? A resposta muda o quanto de "falso-positivo" o número representa. Há uma pergunta aberta sobre isto.
Fusão com o ML
Se há tratamento ativo, vale o maior entre o número das regras e o número do modelo estatístico — ou seja, o modelo nunca rebaixa quem está em tratamento.
Se há zero evidência clínica, o sistema zera o score mesmo que o modelo estatístico aponte risco alto. A justificativa no código: "ortodontia, óculos e rotina não são adoecimento".
Piso clínico de segurança
Impede que casos graves caiam de nível, independentemente da conta:
- Oncológico em tratamento → piso Alto; se ≥ R$5k/mês → piso Crítico.
- Internação/urgência: ≥ 2 eventos ou ≥ R$3k/mês → Alto; ≥ 2 eventos e ≥ R$5k → Crítico.
- Dependência funcional grave → Alto; ≥ R$5k/mês → Crítico.
Existem duas escalas de "alto risco". Este motor usa os cortes 0,5 / 2 / 4 / 6. Já o Score IA (motor 5) e algumas telas usam ≥ 8 = alto, 5–8 = médio. São réguas diferentes de motores diferentes. Ao revisar um caso na tela, confirme qual motor gerou o número.
Escada de escalonamento — a única parte com backtest
Modela a progressão de uma condição em cinco degraus. É o único motor com validação retrospectiva () e medido.
Só o estágio ≥ 3 é acionável. Ver ruído conhecido abaixo.
Os três eixos existentes
| Eixo | Desfecho-alvo | (jul/2026) |
|---|---|---|
| Renal | hemodiálise / diálise | 39 casos · 92% tinham rastreio prévio · lead mediano 12,1 meses |
| Cardiovascular | revascularização / infarto | 592 casos · lead ~12,8 meses |
| Diabetes | fotocoagulação / vitrectomia / amputação / pé diabético | 670 casos · lead ~12,4 meses |
Transições e prioridade
- O estágio é o maior degrau atingido; a velocidade compara os últimos 180 dias com o passado.
- Prioridade Alta se estágio ≥ 4 com último sinal ≤ 90 dias, ou estágio ≥ 3 acelerando ≤ 120 dias.
- Sem atividade no eixo há mais de 8 meses → marcado "resolvido" e sai da .
O estágio 2 (creatinina, glicose, colesterol recorrentes) é rotina ubíqua e afoga a lista — por isso só estágio ≥ 3 é acionável. O eixo renal tem cerca de 3.043 pessoas em "monitorar" que são ruído. Isto é , não diagnóstico.
Modelo de aprendizado de máquina — probabilidade de alto custo
Um modelo estatístico treinado — , ou aprendizado de máquina, na sigla que aparece no resto do documento — que devolve a probabilidade de o beneficiário virar alto custo. A técnica usada chama-se . Ele usa , não identidade: número de meses e dias com farmácia nos últimos 12 meses. A premissa no código é "mesmo sem saber o medicamento, a frequência indica uso crônico".
O que ele aprendeu a prever inclui "esta pessoa vai iniciar medicamento de alta complexidade" — quimioterápico, biológico ou diálise. Na tela, os fatores que mais pesaram aparecem traduzidos em linguagem comum.
Score IA de sinistralidade — opinião de um modelo de linguagem
Este é o motor menos auditável e precisa de atenção especial. É uma chamada a um (GPT-4o), com para o Google Gemini se o primeiro falhar. Grava um score de 1 a 10 mais uma cesta terapêutica.
As regras estão em português dentro do , não em código
Ou seja: não passam por revisão de código nem por teste automatizado. Amostra do que está escrito lá:
- Imunobiológico, quimio oral ou doença rara → score mínimo 8.
- Antineoplásico + quimio confirmada → 9–10.
- Só pronto-socorro sem consulta eletiva em 12 meses → mínimo 6.
- Pico > 3× na frequência após silêncio → mínimo 7 ("alerta pré-diagnóstico").
- Sem uso em 24 meses e idade > 45 → mínimo 5 ("bomba-relógio silenciosa").
- Não é reproduzível. O mesmo beneficiário pode receber scores diferentes em rodadas diferentes, e pode ser pontuado por modelos diferentes (GPT numa rodada, Gemini noutra). Não é uma fórmula fixa.
- O sexo passou a ser cruzado nesta versão. Até agora o campo ia vazio, e as regras que dependem dele — procedimento ginecológico em cadastro masculino, por exemplo — ficavam cegas. O cadastro real, preenchido em cerca de 97% dos ativos, passou a alimentar o modelo. Para a auditoria: scores gerados antes desta versão não usaram sexo; os posteriores, sim. Ao comparar uma rodada antiga com uma nova, essa diferença é esperada e não é erro.
- Se o acesso ao modelo cai, não sai score novo. A rodada é abortada em silêncio e os scores antigos continuam na tela, envelhecendo sem aviso.
Similaridade de transição — comparação com a população
Responde: "o padrão de hoje deste beneficiário se parece com o de quem adoeceu?" Compara com a população, não com o próprio passado da pessoa.
Como os grupos são construídos
Transicionados: quem teve custo < R$3.000 no bloco ANTES e > R$15.000 no bloco DEPOIS. Controle: cerca de 500 pessoas que ficaram saudáveis. O alvo é pontuado pela semelhança com o perfil "antes" de quem adoeceu.
Os seis componentes e seus pesos
Exibidos ao usuário em barras na tela:
Farmácia 20% · Especialidades 20% · Custo/Grupo 15% · Procedimentos 15% · Complexidade 15% · Volume 15%
Dependência funcional — cuidado prolongado
Não é uma doença, é um padrão de gravidade — montado por combinação de procedimentos, nunca por diagnóstico.
- Sinais-âncora, peso 3: traqueostomia, gastrostomia / sonda enteral, ventilação mecânica, home care. Isolados, com ≥ 2 eventos, já classificam como grave.
- Itens menores que somam: BiPAP/CPAP, cadeira de rodas, órtese, fisioterapia respiratória. Soma de pesos ≥ 5 classifica como grave.
Como "saudável" e "adoecendo" são decididos
Não há um único interruptor. Uma pessoa é considerada saudável quando fica abaixo de 0,5 no Score Clínico Composto (motor 2) — o que acontece quando não há nenhum tratamento ativo, só rastreio, óculos e rotina.
Ela sobe para Atenção, Moderado, Alto ou Crítico conforme acumula tratamentos, multimorbidade, custo e aceleração, com o piso clínico garantindo que oncológico, UTI e dependência funcional não caiam de nível.
Em paralelo, a Escada (motor 3) coloca a pessoa em vigilância se ela estiver subindo degraus de um eixo validado, e o Score IA (motor 5) dá uma segunda opinião de 1 a 10 que não conversa com a régua do motor 2.
O doente crônico controlado — e onde o Radar erra
Na primeira leitura, todo clínico pergunta: "um hipertenso não tem cura — o sistema o vê como doente controlado, ou como saudável?" Vê como doente, de duas formas. Mas com um limite que precisa estar claro.
Como o crônico é rotulado hoje
- Um hipertenso sozinho em tratamento soma cerca de 0,90 no componente
a— nível Atenção, o degrau logo acima de Saudável. - Some outra crônica tratada, como dislipidemia, e viram duas áreas → Moderado. Nunca Saudável.
- No Score IA existe uma caixa que é literalmente o doente controlado: "Crônico Estável", uma das cinco cestas terapêuticas.
O Radar não tem pressão arterial nem resultado de exame. "Estável" significa apenas padrão de gasto estável: compra o mesmo remédio, sem picos de custo, sem pronto-socorro. Um hipertenso com a pressão descontrolada que apenas continua comprando a mesma losartana aparece igualmente como "Crônico Estável". O sistema distingue o movimentado do parado — não o bem-controlado do mal-controlado.
O componente a só conta eventos dentro da janela. Se o crônico
abandona o tratamento — para de comprar remédio, para de ir a consultas — por
alguns meses, o score escorrega de volta para Saudável, e na Escada o eixo é
marcado "resolvido" após oito meses de silêncio.
Isso é um falso-negativo: a pessoa não sarou, ela largou o cuidado — o que clinicamente é mais preocupante, não menos. Um radar de crônicos que "cura" quem some é, neste ponto, cego para o pior desfecho.
| Estado real da pessoa | Como o Radar vê | Correto? |
|---|---|---|
| Crônico tratando, comprando remédio | "Atenção" ou "Moderado" + Crônico Estável | ✅ sim |
| Crônico descontrolado, mas comprando o mesmo remédio | também Crônico Estável | ⚠️ não distingue |
| Crônico que abandonou o tratamento | escorrega para "Saudável" / eixo "resolvido" | ❌ falso-negativo |
As duas últimas linhas só se resolvem com dado que hoje falta
Para distinguir controlado de descontrolado é preciso o valor do exame. Para não confundir alta com sumiço é preciso um sinal de adesão ou abandono.
Vale notar que o protótipo do app já coleta os dois: o anexo de exames traz o resultado, e a lista de medicamentos de uso contínuo declarada pelo beneficiário é, na prática, uma declaração de adesão. Quem parou de comprar mas mantém o remédio declarado é justamente o caso que hoje some do radar. Mais sobre isso adiante.
TEA — detecção de padrão de terapia, não diagnóstico
O que dispara a categoria (peso 4)
método ABA · terapia ABA · TEACCH · autista · equoterapia · musicoterapia · psicomotricidade · integração sensorial · método Bobath · Denver
- Não usa CID F84. Não há confirmação diagnóstica de autismo — só a presença de terapias.
- Risco de falso-positivo:
BobatheDenvertambém são métodos usados em outras condições neuromotoras, como paralisia cerebral. Uma criança em reabilitação motora pode ser rotulada "TEA" indevidamente. - Não há níveis de suporte (leve / moderado / severo). TEA entra só pelo peso 4 no score de custo.
Exclusões deliberadas
Estas não são falhas — são decisões. Cada uma pode ser contestada por vocês.
| Exclusão | Motivo |
|---|---|
| Tireoide fora da vigilância precoce | Sobrediagnóstico: detectar cedo leva a tireoidectomia e iodo sem ganho de mortalidade. |
| Rastreio isolado nunca confirma doença | Sem o resultado do exame, não dá para saber se deu positivo. |
| Zero evidência clínica força "Saudável" | Ortodontia, óculos, vacina e rotina não são adoecimento. |
| Estágio 2 rebaixado a "monitorar" | Creatinina, glicose e colesterol são ubíquos e afogariam a lista. |
| Detecção precoce de câncer por tumor ⚪ inviável hoje | São 335 pessoas em tratamento oncológico, mas só 141 têm 12 meses ou mais de histórico — e sem diagnóstico registrado não há como separar mama de próstata de pulmão. |
A tireoide conta no score de custo e multimorbidade (categoria de peso 2), mas é cega à vigilância precoce. Ela está no Radar como custo e ausente como alerta.
Medicamentos — para os farmacêuticos
Medicamento é sinal clínico central, de três formas:
- de doença: o nome do fármaco mapeia a condição (metformina → Diabetes, adalimumabe → Autoimune, quimioterápico → Oncológico). Só "tratamento" conta como evidência forte.
- Peso no score de similaridade: farmácia é o componente de maior peso (20%). Abaixo de R$500/ano não pontua; ≥ R$5.000/ano vale 100%.
- Cadência no ML: meses e dias com farmácia nos últimos 12 meses.
Boa parte dos chega com a descrição genérica literal MEDICAMENTOS FARMACIA,
sem o princípio ativo. Quando o fármaco vem nomeado, vira sinal de doença; quando
vem opaco, só o custo e a cadência são usados — o sistema não sabe o que foi dispensado.
O sistema mede e mostra o percentual da farmácia que chega opaca — é um número que vale vocês olharem, porque ele limita tudo o que vem depois. OPME não tem categoria própria no Radar.
Rastreabilidade — o "por quê" da conclusão
Ponto forte para a confiança clínica: o Radar mostra a evidência, não só o número.
- Timeline com os eventos individuais (até 200) que sustentam tudo.
- Categorias emergentes com os eventos-chave que dispararam cada uma.
- Similaridade com o que casou: especialidades e procedimentos em comum com os transicionados, com o delta % contra quem ficou saudável.
- Fatores do ML traduzidos para linguagem legível.
- Banner "Investigar antes de agir" quando o modelo diz Alto ou Crítico mas a confiança no dado é baixa.
O número final do ML não é decomposto claim a claim — o que se explica são os fatores de maior peso e os matches.
Anonimização — o que a tela esconde
A tela troca nomes técnicos internos — de banco de dados e do fornecedor do modelo de IA — por termos neutros. São nomes que não dizem nada à leitura clínica e só poluiriam a interface.
Ela não esconde nada clínico — medicamento, procedimento, custo e score aparecem normalmente. A não-exposição de nome e CPF do paciente-índice é diretriz de processo e LGPD, não do código.
O que falta hoje — e o que já está a caminho
O Radar hoje detecta bem doença crônica que escala devagar, com degraus intermediários (renal, cardio, diabetes), com lead de cerca de um ano. Ele não detecta doença silenciosa de investigação rápida, e não substitui diagnóstico.
Três coisas. O resultado numérico dos exames: sem ele, o Radar sabe que a creatinina foi pedida seis vezes mas não sabe se subiu — a tendência dentro do rastreio nunca afina, e não há como separar crônico controlado de descontrolado. O diagnóstico registrado nas guias: sem ele, não há como separar câncer de mama de câncer de próstata. E um sinal de adesão: sem ele, quem abandona o tratamento vira "Saudável" em vez de virar prioridade.
É o principal pedido técnico que a equipe clínica pode endossar, e o endosso de vocês pesa mais que o nosso.
Já existe um protótipo coletando esse dado
O app da Elosaúde tem um protótipo ativo em gaf.inovaprocessos.com com três frentes. Duas delas trazem, direto do beneficiário, coisas que o Radar hoje não enxerga de jeito nenhum:
Meus exames — o laudo entra pela porta do beneficiário
A pessoa anexa laudos, imagens e receitas por foto, galeria ou PDF, com um consentimento único no primeiro anexo autorizando a operadora a usar os dados para cuidar da saúde dela, revogável a qualquer momento.
O que isso destrava: o resultado do exame — exatamente o dado cuja ausência faz o rastreio valer zero no score. Um laudo de creatinina anexado responde a pergunta que a conta nunca respondeu: deu alterado?
Minha saúde — a folha de rosto que hoje não existe
O beneficiário informa altura, peso e IMC com histórico, seus medicamentos de uso contínuo e suas alergias e condições.
O que isso destrava: a farmácia opaca. Quando a conta
chega escrita só como MEDICAMENTOS FARMACIA, o sistema não sabe o que foi dispensado —
mas se a própria pessoa declarou que usa losartana e metformina todo mês, o custo opaco ganha
nome. E o IMC com histórico é uma variável clínica que o Radar simplesmente não tem hoje, em
nenhum motor.
- É dado declarado, não faturado. Tudo no Radar hoje vem de uma conta que alguém cobrou. O que a pessoa digita tem outra natureza: pode estar desatualizado, incompleto ou errado de boa-fé. Misturar as duas fontes num mesmo score exige uma decisão explícita.
- Quem anexa não é uma amostra qualquer. Anexar exame é voluntário. É provável que quem faz isso seja mais engajado — ou esteja mais doente. Se o Radar passar a usar esse dado, quem nunca anexou pode parecer mais saudável do que é.
- Laudo em PDF ou foto não é número. Entre "o laudo está anexado" e "o sistema sabe que a creatinina deu 2,1" existe um trabalho de extração que ainda não foi feito.
A pergunta para vocês: quais desses dados vocês confiariam a ponto de deixar mudar a classificação de alguém — e quais só serviriam para investigar, nunca para pontuar?
Seis perguntas abertas
Estas são decisões que a engenharia tomou sozinha e não deveria ter tomado sozinha. Cada resposta aqui vira uma issue.
As listas de palavras-chave estão completas e seguras?
Faltam termos? Algum é genérico demais e vai gerar falso-positivo? O caso insulin
mostra o tamanho do risco.
Aceitamos Bobath e Denver como sinal de TEA?
Sabendo do risco de confundir com reabilitação motora. Vale separar "neurodesenvolvimento" de "reabilitação" em duas categorias?
Os limiares de custo e os cortes de score fazem sentido clínico?
R$500 / 2k / 5k / 10k e os cortes 0,5 / 2 / 4 / 6. Deveriam variar por idade ou sexo?
Concordam em deixar a tireoide fora da vigilância precoce?
A justificativa é sobrediagnóstico. Ela continua contando como custo, mas nunca gera alerta.
Que novos eixos de escalonamento valem ser construídos?
Além de renal, cardio e diabetes. DPOC? Insuficiência cardíaca? Câncer com marcador? O critério é ter degraus intermediários visíveis na conta.
Manter um número não-reproduzível de LLM como segunda opinião?
Ou restringir a operação aos motores determinísticos, onde toda conclusão pode ser refeita na mão?
Nesta base, "Moderado" quer dizer acompanhar ou adoecendo?
Um hipertenso e dislipidêmico estável cai em Moderado pela soma de a + b.
Se Moderado significa "acompanhar", o número está certo. Se significa "adoecendo", há
super-inclusão — e o ajuste seria no componente de multimorbidade, não nas listas de termos.
O que o beneficiário declara pode mudar a classificação dele?
O protótipo do app (gaf.inovaprocessos.com) já coleta exames anexados, peso e IMC com histórico, medicamentos de uso contínuo e condições declaradas. Nada disso é conta faturada. Vocês aceitariam que esse dado pontuasse — subindo ou descendo alguém de nível — ou ele só deveria abrir uma investigação humana? O caso mais concreto é o do crônico que abandonou o tratamento: hoje ele vira "Saudável"; com o medicamento contínuo declarado, ele viraria prioridade. A resposta define se o próximo passo é engenharia de dados ou desenho de protocolo.
Propor algo novo
As seções anteriores pedem que vocês corrijam o que existe. Esta é o contrário: é onde vocês colocam o que não existe e deveria existir. São três caminhos, e a escolha muda o esforço da engenharia por um fator de dez.
| Caminho | Quando usar | Esforço |
|---|---|---|
| Tipo A | Falta uma condição inteira no sistema — DPOC, epilepsia, HIV, Crohn. O Radar não a reconhece nem quando ela está em tratamento. | baixo — lista de palavras e um peso |
| Tipo B | A condição existe, mas queremos antecipar o desfecho grave com meses de antecedência, como já se faz em renal, cardio e diabetes. | alto — degraus, desfecho e validação |
| Tipo C | Vocês têm uma pergunta que os dados talvez respondam e ninguém mediu ainda. Não é regra nova: é um estudo. | variável — depende do dado existir |
| Tipo A — condição monitorada | Tipo B — eixo de vigilância precoce | |
|---|---|---|
| Para quê | reconhecer que uma condição está presente e ativa e pesá-la no risco | detectar que alguém está caminhando para um desfecho grave, com meses de antecedência |
| Exemplos | DPOC, epilepsia, HIV, doença de Crohn | "quem vai para diálise", "quem vai infartar", "quem vai amputar" |
| O que a engenharia faz | acrescenta uma condição à lista de palavras monitoradas | constrói um eixo novo, com os cinco degraus e o desfecho |
| Exige validação | não — entra como heurística 🟡 | sim — backtest com lead-time antes de virar 🟢 |
| Esforço | baixo: lista de termos + peso | alto: degraus + desfecho + validação retrospectiva |
O Radar não lê CID nem resultado de exame — ele casa palavras na descrição das contas. Todo termo listado tem que ser algo que aparece escrito na conta: nome de medicamento, de procedimento, de exame. Nunca um diagnóstico.
Propor uma condição nova — Tipo A
O formulário abre ao lado e tem oito campos. Vale ter isto pensado antes de começar:
- Qual condição e por que ela importa para a operadora.
- Termos de tratamento — medicamentos e procedimentos que, aparecendo na conta, indicam tratamento em curso. É o campo mais importante: sem ele a condição fica invisível. Escreva como aparece na fatura.
- Termos de rastreio — exames ligados à condição. O sistema não vê o resultado, então isto sozinho nunca confirma nada.
- Peso de 1 a 5, comparando com o que já existe: dislipidemia é 2, diabetes é 3, autoimune é 4, oncológico é 5.
- Risco de falso-positivo — algum termo da sua lista aparece em outra doença? Como distinguir?
Propor um eixo de vigilância — Tipo B
Onze campos. Este tipo só entra em produção como conclusão depois de provarmos, olhando o passado, que a escada realmente antecede o desfecho. Antes disso ele roda em observação. Tenha em mente:
- O desfecho-alvo — o evento grave, caro e evitável que queremos antecipar, e como ele aparece escrito na conta.
- Os quatro degraus até ele: rastreio inicial, o mesmo exame voltando, imagem dirigida, procedimento ou tratamento.
- A velocidade típica do degrau 1 ao 5, e a partir de que aceleração já vale prioridade alta.
- A coorte e a métrica para validar — quem já chegou ao desfecho, e o que consideraríamos sucesso.
Propor um estudo — Tipo C
Sete campos, para quando a proposta não é uma regra e sim uma pergunta a ser medida. Serve tanto para validar o que já roda quanto para investigar algo novo.
- A pergunta em uma frase e o que muda na operação se a resposta for sim. Se nada muda, o estudo não vale o esforço.
- O que precisaria ser medido — a comparação concreta.
- Se o dado existe hoje. Se não existe, a proposta não morre: vira argumento para pedirmos esse dado.
Exemplo preenchido — eixo DPOC (Tipo B)
DESFECHO-ALVO Internação por exacerbação com ventilação / VNI. Termos na conta: "ventilacao mecanica", "vni", "bipap internacao", "diaria de uti" OS 5 DEGRAUS 1. Rastreio inicial: "espirometria" 2. Rastreio repetido: "espirometria" (recorrente), "gasometria arterial" 3. Imagem dirigida: "tomografia de torax", "raio-x torax" (recorrente) 4. Procedimento/tratamento: "tiotropio", "formoterol", "oxigenoterapia domiciliar", "nebulizacao" 5. Desfecho: (acima) JANELA E VELOCIDADE Do degrau 1 ao 5, tipicamente 12–24 meses. Atraso preocupante: subir do degrau 3 ao 4 em < 3 meses → prioridade Alta. PLANO DE VALIDAÇÃO Coorte: internações por exacerbação de DPOC em 2024–2025. Sucesso: ≥80% com degrau ≥3 nos 12 meses anteriores, lead mediano ≥6 meses. RISCO DE RUÍDO Espirometria isolada é comum. Alertar só a partir do degrau ≥3.
Antes de um protocolo entrar
- Todos os termos são palavras que aparecem na conta — não CID, não diagnóstico.
- Cada termo foi checado contra falso-positivo: aparece em outra condição?
- O peso foi acordado com a referência das condições atuais.
- Tipo B: existe plano de validação com lead-time antes de virar 🟢.
- A equipe clínica revisou e assinou o critério.
Vocabulário
Este documento foi escrito por engenharia e lido por clínica. Onde a palavra é da nossa casa e não da de vocês, ela aparece no texto — clique e a explicação abre ali mesmo. Se alguma definição continuar confusa, comente nela: significa que o documento ainda não está pronto.
ML, aprendizado de máquina
Não é mililitro. ML aqui é machine learning. É um programa que aprendeu sozinho, olhando o histórico da própria carteira, quais padrões de utilização apareceram antes de alguém virar alto custo. Ninguém escreveu as regras dele: elas saíram dos dados. Por isso não dá para ler a regra — só medir se ela acerta.
XGBoost
O nome da técnica de aprendizado de máquina usada no motor 4. É a mais comum para dados em tabela. Para a leitura clínica o nome não muda nada — pode ler como "o modelo estatístico".
Modelo de linguagem, LLM, GPT-4o, Gemini
O mesmo tipo de programa do ChatGPT. Recebe um texto com instruções e devolve um texto de volta. Não faz uma conta fixa — a mesma pergunta pode receber respostas diferentes em dias diferentes. GPT-4o e Gemini são dois desses programas, de empresas diferentes.
Prompt
O texto de instruções que se manda ao modelo de linguagem. No motor 5, as regras de pontuação estão escritas ali, em português corrido, como um bilhete ao programa — e não em código que possa ser testado.
Determinístico
Mesma entrada, mesma saída, sempre. Dá para refazer a conta no papel e conferir o número da tela. É o caso do motor 2 e o oposto do motor 5.
Heurística
Regra prática escolhida por bom senso, que funciona na maioria dos casos mas nunca foi provada com dados. É exatamente o que o selo 🟡 quer dizer — e é a maior parte do Radar.
Backtest
Teste olhando para trás. Pega quem já chegou ao desfecho — quem foi para diálise, por exemplo — volta no tempo e verifica se o sistema teria avisado antes, e com quanta antecedência. É o que separa o selo 🟢 do 🟡.
Lead-time, lead mediano
Quanto tempo de antecedência. "Lead mediano de 12,1 meses" quer dizer que, na metade dos casos, o sistema teria acendido o sinal um ano ou mais antes do desfecho. Na outra metade, menos.
Claim
Cada item cobrado da operadora: uma consulta, um exame, uma caixa de remédio, uma diária de internação. No dia a dia de vocês, é "a conta" ou "o item da conta".
TISS, TUSS
TISS é o padrão obrigatório da ANS para a troca de informação entre operadora e prestador — o formato em que a conta chega. TUSS é a tabela de códigos de procedimento dentro dele. O que o Radar usa não é o código: é a descrição em texto que vem ao lado.
Casamento de palavra-chave
O sistema procura pedaços de palavra dentro do texto da conta. Se acha "metformina" na descrição, marca diabetes. Ele não entende o sentido da frase — só encontra a palavra. Foi assim que "seringa para insulina" já foi lido como tratamento de diabetes.
Censura à esquerda
A base começa em abril de 2023 e não existe nada antes disso. Não é que a pessoa não tivesse doença antes — é que não dá para ver. Quem trata uma condição crônica há quinze anos pode parecer recém-chegado ao sistema.
Cadência
Com que frequência e regularidade algo aparece. O motor 4 usa cadência de farmácia: quantos meses tiveram compra de remédio, sem saber qual remédio.
Proxy
Sinal indireto, usado no lugar do que se queria medir. O remédio é proxy da doença: não é o diagnóstico, mas costuma andar junto. Todo o Radar é feito de proxies.
Watchlist
Lista de acompanhamento. Quem entra nela não está doente nem foi diagnosticado — está sendo olhado de perto. Confundir watchlist com diagnóstico é o erro de leitura mais caro que se pode cometer com este sistema.
Fallback
Plano B automático. Se o primeiro serviço não responde, o sistema tenta outro sem avisar ninguém. É por isso que o mesmo beneficiário pode ser pontuado por dois programas diferentes em semanas diferentes.
Radar da Carteira